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sábado, 10 de dezembro de 2011

GUIA DA FOLHA On Line

 Veja 10 programas imperdíveis para fazer até o fim do ano
- por Fabiana Seragusa

http://folha.com.br/no1018667

NOVELO (até 18/12)
A peça emociona ao falar sobre cinco irmãos que se reencontram na sala de espera de um hospital público, após a notícia de que um homem, que pode ser o pai que os abandonou por 20 anos, está internado na UTI. Durante as conversas, eles acertam brigas do passado e relembram bons momentos.

Informe-se sobre a peça:
http://guia1.folha.com.br/guia/teatro/drama/731520/novelo

"Sucessos deixam os palcos de SP" - Ilustrada (Folha de SP)





quarta-feira, 30 de novembro de 2011

NOVELO, UM NOVO ELO - por Luiz Líbano


NOVELO, UM NOVO ELO

NOVELO , espetáculo em cartaz em sua quarta temporada em São Paulo (Viga Espaço Cênico; de 28/10 a 18/12/2011) é - sem dúvida - um novo elo ou a busca por ele.
     O tricotar que se presencia , ao entrar na sala de espetáculos, não é apenas cênico, é também verborrágico (não num sentido pejorativo) , e o verbo primeiro vem de um olhar (escrever)  feminino da habilidosa dramaturga Nanna de Castro, que enovelou nessa trama teatral o que há de mais sincero, amplo e sensível no relacionamento familiar de cinco Homens com H maiúsculo, representados pelos cinco talentosos ACE: Atores Cinco Estrelas.
     A história é realmente tocante, não há como ficar impassível diante de fatos tão dolorosos que encurralaram  os cinco irmãos que (no presente) se encontram na sala de espera de um hospital público, prestes a se certificar de que o homem (internado na UTI) é (ou não) o pai que os abandonou num momento delicado e crítico de suas vidas, ou seja, na infância-adolescência.
     O novo elo que os envolve certamente se tece pela dor, mas também pelo amor propiciado pela mãe (já ausente) que os ensinou a tricotar, a se  entreter , a se atrever , a se amar e a se envolver com as interessantes histórias contadas durante os momentos-aulas, em que tudo parecia fazer sentido, as personalidades engatinhavam, mas  já insinuavam seus pruridos.
Belas e fragmentadas cenas se revezam expressando presente e passado, indubitavelmente guiadas pelo profundo texto de Nanna, alinhavado pela direção delicada de Zé Henrique de Paula e executada com maestria pelos apreciáveis homens-garotos Herbert Bianchi (João), Flávio Barollo (Cláudio),  Alexandre Freitas (Maurício), Fábio Cadôr (Zeca)  e Flávio Baiocchi (Mauro).
Há que se parabenizar toda a equipe que compõe a Ficha Técnica, sem a qual seria impraticável a execução de um trabalho artístico tão primoroso.
     E por falar em primor, vale citar dois momentos: 
1º) aquele em que os irmãos acabam maquiando um ao outro sem o estereótipo que associaria a cena a um banal e simplista olhar homossexual, mas  (pelo contrário) aponta para algo ingênuo, infantil e lúdico ; 
2º) aquele em que se comenta criticamente como os leigos (de observação estreita e simplista) classificam/limitam o que vem a ser um ator. São realmente momentos imperativos (acrescidos de outros, claro) nos quais se pode avaliar a beleza do conjunto: texto, direção, atuação e cumplicidade dos artistas em cena,  principalmente conectados, enovelados à atenta plateia.
     Nanna de Castro provavelmente conseguiu êxito nesta dramaturgia, já que  - como revelou ao Jô Soares (entrevista: 06/09/2010) - teve seus primeiros passos na arte de escrever, parodiando os grandes cronistas, através da conhecida, influenciável e indispensável coleção PARA GOSTAR DE LER.                Portanto, tendo esse primeiro significativo impulso, presenteia os atores e espectadores com esse Novelo que nos leva a afirmar (sem titubear) que  tal espetáculo foi feito para Gostar de Entreter e de se Ver.
     Que a Companhia cumpra a sua temporada com louvor e estenda-a (por favor!) a fim de que os Deuses do Teatro providenciem ao elenco e ao público mais uma (ou muitas outras possibilidades) de  admirável representação-reflexão de divertido (embora doído)  novo elo.

LUIZ LÍBANO - 29/11/11 -  

(Luiz Líbano é professor, escritor, cantor, resenhista e muitos outros istas)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Novelo, uma radiografia sobre o homem contemporâneo

por Maurício Mellone

Em sua quarta temporada (a estreia foi no ano passado), Novelo, em cartaz no Viga Espaço Cênico, surpreende de imediato. O público entra na sala de exibição e os cinco atores já estão em cena; detalhe: todos com agulhas e linha tricotando (literalmente) cachecol, echarpe e blusa. E melhor ainda, com desenvoltura e firmeza!
Só depois de todos se acomodarem e apagadas as luzes da plateia é que a peça de Nanna de Castro tem prosseguimento. São cinco irmãos que aprenderam a tricotar com a mãe e estão no saguão de um hospital público depois de serem chamados porque um homem foi espancado e levado à UTI; esse homem, que tinha no bolso da calça os telefones dos rapazes, pode ser o pai que os abandonou há mais de 20 anos.
Com este mote, a autora põe a nu o homem contemporâneo, discutindo questões e conflitos do universo masculino, por meio da relação entre os cinco irmãos. Sem linearidade, a trama alterna momentos daquela família, desde o nascimento do caçula quando o pai resolve deixá-los, o crescimento dos meninos em diversas fases da vida, a ligação deles com a mãe, até a maturidade e o momento em que eles se reencontram no hospital para reconhecerem o moribundo.

Maurício, João, Cláudio, Zeca e Mauro: irmãos com personalidades bem distintas
O público com o desenrolar das cenas vai reconhecendo a personalidade de cada garoto e como eles se tornaram adultos: Mauro (Flavio Baiocchi) o mais velho que aos 12 anos foi obrigado a se tornar o homem da casa, com todas as responsabilidades depois da morte precoce da mãe; Maurício-Cicinho (Alexandre Freitas), perturbado com o abandono, vira um homem inseguro e viciado; João (Herbert Bianchi), gay que procura superar os traumas com estudo e sucesso profissional; Zeca (Fábio Cadôr) moleque arruaceiro que vira o machão e empresário bem-sucedido e por último Cláudio-Cacau (Flavio Barollo), sensível e único que não conheceu o pai, torna-se ator.
Para melhor desenvolver a trama, o diretor Zé Henrique de Paula também criou o cenário; quatro cadeiras e apenas placas transparentes que servem tanto para situarem o ambiente hospitalar como para delimitarem o espaço cênico. Cenas de infância e adolescência dos personagens acontecem só com a mudança da disposição das cadeiras.
Nanna de Castro desfia um Novelo emocional daqueles cinco irmãos. A cena final é catártica, com cada um deles colocando para fora seus fantasmas e traumas guardados até então. Foi difícil conter as lágrimas, já que me identifiquei muito com história retratada no palco (somos cinco irmãos e uma irmã e meu pai faleceu com todos nós ainda crianças). Vivenciar aquele Novelo emocional-familiar sendo desenrolado, desfiado, desfeito contribuiu para que o meu novelo (como de muitos espectadores) também o fosse!

FAVO DO MELLONE
http://www.favodomellone.com.br/resenha/novelo-uma-radiografia-sobre-o-homem-contemporaneo/

APLAUSO BRASIL
http://colunistas.ig.com.br/aplausobrasil/2011/11/01/novelo-faz-radiografia-sobre-o-homem-contemporaneo/

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Antro Diálogos: Novelo

Antro Diálogos: Novelo: "

MINHA MAIOR FELICIDADE NAS SATYRIANAS
Por Luísa Valente

Espaço dos Parlapatões
17h- "Novelo", de Nanna de Castro
Direção: Zé Henrique de Paula
Elenco: Alexandre Freitas, Elvis Shelton, Fábio Cadôr, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo

Cinco homens fazem tricô juntos em uma sala. Essa cena, que por si só gera estranhamento ao mesmo tempo em que enternece a platéia, acontece na sala de espera de um hospital público. Os cinco homens são cinco irmãos de uma família desconjuntada pela vida, que agora se reencontram ao receberem a notícia de que um homem que pode ser seu pai está na UTI.
Minha avó, mãe de cinco filhas e dois filhos, sempre diz: "vocês nunca tem tempo para me visitar, mas no dia em que eu morrer vocês virão correndo pra cá. E vão ter que viver sem o meu arroz doce, porque vocês não sabem fazer um arroz doce igual ao meu". A vida tem dessas coisas.
Os cinco irmãos fazem o tricô que a mãe, anos antes, quando eles ainda eram crianças e moravam juntos, lhes ensinara a fazer. A dor da perda é amenizada por costumes que remetem ao ente querido, que fazem juz a sua memória, por mais prosaicos que esses costumes possam ser. E assim fazemos tricô, arriscamos um arroz doce , mesmo que de um jeito meio torto.
O tricô, o tricô no reencontro, parece ser uma via de acesso a um passado de irmãos que já não pode ser visto no presente de homens crescidos e marcados pela experiência da vida de todo dia.
O mesmo espaço da sala de espera do hospital - quatro cadeiras e um retângulo delimitado por uma fita branca no chão - se transforma, pela iluminação e descontrução dos atores no espaço da infância.
Nesses momentos, temos a oportunidade de ver os mesmos personagens em um tempo onde os mecanismos de defesa não eram ainda tão atuante, onde os medos se expressavam livremente, onde a espontaneidade ocupava o lugar de gestos e pensamentos comedidos. Vemos como seus corpos agiam no espaço antes de se tornarem enrijecidos, antes de constituirem o corpo-memória que nos é mostrado no tempo presente da peça. Vemos, por exemplo, que o adulto alcoólatra foi um dia uma criança frágil mas com o olhar bastante atento à mãe que "não gostava dos filhos" e que começou a beber quando seu pai sumiu de casa; vemos de onde vem a dor de estômago do irmão mais velho, que descreve sua agonia como um "cigarro aceso engolido",o que queima em seu estômago são as responsabilidades das funções de pai, mãe e marido que ele assumiu de maneira brutal aos doze anos; percebemos que ao irmão intelectual e homossexual não foi permitido adentrar, quando criança, no "quartinho" cheio de livros do pai e que, adulto, é no mundo desse quartinho que ele vive longe dos irmãos, sem conseguir se identificar com eles, sem conseguir sequer receber um carinho do irmão mais novo. Para se distanciar do padrão de desintegração de relações primárias que agredia sua sensibilidade, aprendeu a rejeitá-lo a ponto de se considerar um outro completamente diferente, sem ligações com esse padrão que por anos foi o de sua vida. Outro irmão, o hoje adulto milionário que cultua seus bens materiais mais do que sua esposa foi uma criança provocadora e extrovertida que não teve muitos incentivos a valorizar seus iguais, tampouco teve muitos momentos de prazer com esses e, talvez, por isso, tenha encontrado em tudo que o dinheiro pode comprar fontes de felicidade mais seguras e imediatas do que nos homens. Vemos por fim, que o irmão mais novo teve a sorte dos irmãos mais novos e hoje é um adulto mais leve do que seus outros cinco irmãos, apesar de se sentir culpado por não ter nascido menina, para desespero do pai. Cinco irmãos, com cinco visões diferentes para suas histórias, cinco modos de agir diante delas. Cinco homens, com cinco visões de mundo diferente, cinco modos de agir no mundo.
Não pretendo psicologizar a peça, não teria nem capacidade para isso. Mas, se entendermos a psicologia como uma das personagens do cineasta Mike Leigh a define em "Garotas de Futuro", como o estudo do comportamento humano, entenderemos porque o texto, a encenação e os atores são tão brilhantes. Eles se permitem, sem receios, se entregar à algo cada vez mais raro no teatro contemporâneo: psicologizar os personagens, no melhor sentido do termo, adentrar no âmago do que move os personagens, de como pensam e agem, dos porquês de serem quem são do jeito que são e não de outro jeito. Nada contra experimentar outras formas de constituir personagens e a ação dramática, mas será que talvez nós, que nos propomos a fazer teatro hoje, não estamos evitando o psicologismo por outro motivo que não seja que o de que ele é demode, próprio do que se chama de teatro convencional?
"Novelo" mostra o quão difícil é levar o estudo do comportamento humano a sério e o desafio de colocá-lo em cena sem ceder ao melodrama. Mostra como é necessário, nessa empreitada, um texto inteligente e sensível como o de Nanna de Castro, de atores entregues, maduros e talentosos como os do elenco, e de um diretor execpional que é o Zé Henrique de Paula, de todos aqueles que pensaram nesse espetáculo em seus pormenores. Se tem uma coisa que eu odeio na crítica - como já disse em outra resenha - é o culto ao gênio, mas eis me aqui, mais uma vez, dando vazão à sastifação inenarrável de uma atriz que assistiu uma peça apaixonante. Sim, eu sei, estou me perdendo em minha subjetividade, mas o que fazer quando a peça nos conduz num caminho sem volta e o distanciamento é pulverizado pela magia do jogo teatral?
Em certo momento, no fazer do tricôt, um dos irmãos fala: "tem sempre um fio que solta, aí escapa, vai soltando tudo... é incontrolável". Esse é o movimento da peça, esse é o movimento de quem a assiste. Um suspiro no início da peça, com os irmãos tricotando, e tudo vai se soltando, é incontrolável.
A peça deve reestrear o ano que vem. Que assim seja!"

sábado, 11 de setembro de 2010

Terceiro Sinal

Por Diego Mendes
http://blogvacapreta.com/wp/terceiro-sinal-10-09-by-diego-mendes-2/


Quem disse que tricô não é coisa de homem? ‘Novelo’ prova o contrário.

Bem-vindos(as), queridos(as) leitores(as)!

Após uma semana de clima frio e chuvoso, pelo menos na cidade de São Paulo, o sol voltou a brilhar na tarde desta quinta-feira (09/09/2010), o que me motivou bastante a sair debaixo do edredom e dar as caras pela metrópole.

Por conta do feriado de 7 de setembro e dos compromissos profissionais que tive esta semana, ainda não tinha assistido nenhum espetáculo que realmente fizesse meus olhos brilharem, até que a convite do queridíssimo amigo Fábio Cadôr, fui assistir Novelo, um espetáculo lindíssimo e que emociona todo o público através do texto inédito escrito por Nanna de Castro, dirigido por Zé Henrique de Paula, que também assina a cenografia da peça, e composto por atores extremamente cúmplices em cena, que dão vida a cinco irmãos com personalidades completamente diferentes e bem definidas.

- Escrever este texto me fez dançar umas valsas com meu preconceito. Sou da geração que cresceu ouvindo o bordão: homem é tudo igual. Imaturos, egoístas, insensíveis, rasos, mulherengos, ausentes, dispensáveis – diz Nanna de Castro.

NOTA: Todo o serviço da atração aqui citada se encontra no fim do post.

A história se passa na sala de espera de um hospital público. Após 20 anos, Mauro, o primogênito, recebe um telefonema do hospital anunciando que um senhor, seu pai, está internado na UTI com a saúde comprometida, o telefone do filho estava num papel em seu bolso. Os cinco irmãos reúnem-se para ter uma última palavra com aquele que os abandonou na infância. Mauro cuidou de João Pedro, Zeca, Maurício e Cláudio, visto que além do sumiço do pai a mãe havia falecido. Eles discutem suas diferenças e abrem seus corações durante esse reencontro.

Quem dá vida a Mauro, é o ator Flavio Baiocchi, que é o mais zeloso dos irmãos e assim como um pai herói, busca sempre proteger a relação entre os irmãos e os aproximar. Alexandre Freitas interpreta Maurício, que sofre com o alcoolismo, um homem triste, perturbado por suas desventuras e magoado com o pai. Elvis Shelton é João Pedro, um homem mais delicado, cauteloso e distante da família, seu intelecto o deixa cada vez mais longe das discussões entre os irmãos, porém completa o mesmo sentimento que cada um tem pelo outro. Fábio Cadôr vive Zeca, um homem um tanto bossal e sem escrúpulos, cheio de sarcasmo e ironia em suas palavras. Flávio Barollo interpreta Cláudio, o mais novo e descolado dos irmãos, o ator da família, especulado sempre pelos outros por ter uma namorada, que também é atriz, e herdar os trejeitos do irmão João.

Todos os atores fazem passagens incríveis entre a infância e suas idades atuais durante todo o espetáculo, várias vezes voltam ao passado alterando a voz e suas expressões. A iluminação, que é assinada por Frans Barros, também é alterada todas as vezes que essas passagens de tempo acontecem, climatizando bem o hospital e o espaço que os atores ocupam quando mudam a cena. O figurino é de Mário Queiroz, e caracteriza muito bem cada personagem. A direção musical de Fernanda Maia caiu muito bem para Novelo, pois a trilha sonora ajuda a compor o ambiente perfeito para cada cena.

- Para mim, a peça é um mergulho na memória daquela que é a mais ancestral e eterna instituição humana. A família. Esse novelo que dá titulo à peça. Novelo que pode, com duas agulhas na UTI de um hospital, acalmar os corações sofridos de cinco irmãos que vão dizer adeus a seu pai – diz Zé Henrique de Paula.

Novelo encerra sua temporada no Teatro Augusta na próxima semana, com sessões nos dias 15 e 16/09/2010, depois reestréiam no Espaço Parlapatões, na Praça Roosvelt, onde ficarão em cartaz até dia 28 de outubro, todas as quartas e quintas. Vocês podem conferir um trecho do espetáculo no vídeo abaixo.

Eu assisti e recomendo!

Até a próxima semana e tenham todos um bom espetáculo!

Serviço

Espetáculo: Novelo
Local: Teatro Augusta até 16/09/2010 – Espaço Parlapatões a partir de 22/09/2010
Horários: Quarta e quinta às 21h00
Ingressos: R$30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

NOVELO no BUXIXO

http://www.buxixo.com.br/entretenimento/2010/09/novelo-a-prova-de-que-homem-e-tudo-diferente



Cinco homens em cena e muito o que tricotar, está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo, a peça 'Novelo', onde irmãos com personalidades completamente diferentes encontram-se após muito tempo procurando o pai. Direção de Zé Henrique de Paula.
Depois de muitos anos, Mauro, o irmão mais velho, recebe um telefonema do hospital anunciando que um senhor, seu pai, está internado, e com a saúde debilitada, o telefone do filho estava num papel no bolso dele. Os cinco irmãos, que foram criados pelo primogênito reúnem-se para ter uma última palavra com aquele que os abandonou na infância. Mauro cuidou de João Pedro, Zeca, Maurício e Cláudio, visto que além do pai sumir a mãe havia morrido. Cada um com suas peculiaridades esmiúçam seu próprio perfil em cena, discutem diferenças entre eles, porém sempre protegidos pelos cuidados do mais velho.
O texto de Nanna de Castro permite ao público a aproximação de uma realidade tão comum na sociedade, além de falar da cautelosa relação entre irmãos com personalidades tão diferentes. A costura de novelos é bem trabalhada nas palavras, nada fica perdido em cena, todo o diálogo é completamente compreensível, o texto é bem inédito, adequado ao contemporâneo, comovente e cômico. O propósito do título da peça é esclarecido no instante em que os atores contam sobre os ensinamentos da mãe, um deles o tricô.
Mauro é interpretado pelo ator Flavio Baiocchi, que vive um irmão zeloso, assim como um pai herói ele busca sempre proteger a relação entre os irmãos e os aproximar. É um grande ator, intenso, expressivo e desenha seu texto com suas feições e expressões corporais. Alexandre Freitas vive o personagem Maurício, alcoólatra e sempre mais mórbido, um homem triste, perturbado por suas desventuras e magoado com o pai, o ator carrega em seu personagem o abismo de sua história, exprime uma das melhores propostas do texto, e parece ser o mais afetado pelo sumiço do pai e a saudade da mãe. Elvis Shelton, faz João Pedro, um homem mais delicado, cauteloso e distante da família, seu intelecto o deixa cada vez mais longe das discussões entre os irmãos, porém completa o mesmo sentimento que cada um tem pelo outro, João é um personagem calmo e sortudo por ser vivido por este ótimo ator, que sabe como equilibrar-se no palco, e apesar de interpretar um homossexual, não permite que o personagem torne-se um clichê, sendo portanto um homem de gostos diferentes, assim como cada irmão tem sua escolha. Como em qualquer família há aquele que empina o nariz, o que nem sempre por suar é o mais afortunado, assim é Zeca, vivido pelo ator Fábio Cadôr, que vai se destacando no palco por suas ironias e sarcasmo, um homem um tanto bossal e sem escrúpulos, o ator vai dando um expressionismo fantástico ao personagem e fica responsável pela maior parte cômica do texto, fazendo isso muito bem. O mais novo e descolado dos irmãos é Cláudio, interpretado por Flavio Barollo, um ator de muito talento, capaz de caracterizar seu personagem como um homem indeciso, especulado sempre pelos outros por ter uma namorada e herdar os trejeitos do irmão João. Ele é contente, porém equilibra-se num homem sentimental e feliz, sempre disposto a um abraço e dependente dos carinhos dos irmãos, com exceção de Zeca, os quais se entendem ao final de tudo.
Todos os atores fazem passagens incríveis entre a infância e suas idades atuais no texto, várias vezes retornam no tempo alterando a voz e suas expressões. Além de dirigir, Zé Henrique de Paula é responsável por um cenário simples, mas adequado aos movimentos que os atores precisam desenvolver e permite que a imaginação da plateia seja estimulada para que cada um construa a cenografia que couber em sua compreensão e emoção do que cada um codifica do texto. A iluminação de Frans Barros não exagera em nada, nem fica abusando de cores, trabalha apenas com um tom mais claro e outro mais baixo, climatizando bem o hospital e o espaço que os atores ocupam quando mudam a cena. O figurino caracteriza cada personagem, ao entrar no teatro os atores já estão em cena tricotando, e neste instante já podemos notar a personalidade de cada um por aquilo que vestem, as roupas acompanham bem as expressões de cada um, trabalho do figurinista Mário Queiroz. A trilha sonora surge dos momentos certos, os sons são cenário de fundo para os sentimentos e falas dos personagens, direção musical de Fernanda Maia.
A produção executiva é de Marisa Medeiros, e fica em cartaz no Teatro Augusta até 16 de setembro no valor de R$ 30,0. ‘Novelo’ é mais um texto contemporâneo dos quais eu recomendo. Após o dia 16 eles estarão no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, também de quarta e quinta, assim como no Augusta, e ficarão de 22 de setembro a 28 de outubro.
Por Nyldo Moreira
Jornalista e Crítico de Teatro
nyldo.jornalismo@gmail.com
http://tangoseboleros.blogspot.com

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Irmãos de "Novelo" mostram que homem é tudo diferente

Guia da Folha Online
Por Fabiana Seragusa

Encontrar cinco homens tricotando na sala de espera de um hospital público é algo bastante incomum. Mas é assim que os irmãos da peça "Novelo" relembram a infância ao lado da mãe, enquanto esperam para saber se o homem internado na UTI é o pai que os deixou há 20 anos.


Ronaldo Gutierrez/Divulgação

Na peça "Novelo" (foto), cinco irmãos se reencontram na sala de espera de um hospital público e mostram como são diferentes
Neste reencontro, os rapazes retomam brigas inacabadas, brincam, discutem e choram. E deixam claro que são muito, mas muito diferentes entre si.

Zeca (Fabio Cadôr) é advogado, turrão, grosseiro e tem paixão por carros. Cicinho (Alexandre Freitas) luta pra ficar com as filhas, é frágil e se entrega às bebidas.

Quem cuidou dos irmãos quando a mãe morreu e o pai sumiu foi Mauro (Flavio Baiocchi), que trabalha sem parar e tem gastrite. João (Elvis Shelton) acumula vários diplomas, é autor de livros e gay. Cacau (Flavio Barollo) é ator, adora cozinhar e também tem jeito de gay, mas não é.

Em 1h30 de peça, o público vê cenas alternadas do hospital e da infância dos irmãos, e entende como a relação tão curta e conturbada com os pais afetou, de forma diferente, a vida de cada um. O texto fluente, escrito por Nanna de Castro, dá agilidade, intensidade e leveza ao espetáculo, que tem a direção de Zé Henrique de Paula.

"Novelo", que surgiu de um projeto de três anos, fica em cartaz no teatro Sérgio Cardoso (centro de São Paulo) até o próximo domingo (15), mas já reestreia no teatro Augusta (também no centro) na quarta-feira (18

domingo, 11 de julho de 2010

A peça Novelo é mais comovente do que engraçada

Blog É TODO UM RÊ-TÊ-TÊ!!!
http://etodoumretete.blogspot.com/2010/07/peca-novelo-e-mais-comovente-do-que.html



Se você está procurando uma peça para assistir entre sexta e domingo e não quer ver nenhum pastelão, mas quer se divertir; procura um texto inédito, porém de autor brasileiro; não faz questão de rostos super conhecidos das mídias e tem R$ 20 para pagar entrada inteira ou R$ 10 para meia, anota aí: NOVELO!

O espetáculo está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso há três semanas e traz os atores Alexandre Freitas, Fábio Cadôr, Elvis Shelton, Flavio Baiocchi e Flavio Barollo. A direção é de Zé Henrique de Paula (que também dirige Side Man, com Sandra Coverloni, no mesmo teatro).

Em entrevista para o Blog Rê-Tê-Tê, Fábio Cadôr conta que Novelo começou quando ele e os outros quatro atores tiveram a ideia de levar para o teatro temas inerentes ao universo masculino. “A montagem, entre texto, projeto e concretização, levou três anos. Pesquisamos muito e após o texto pronto, fomos atrás do diretor, do figurinista, enfim, tínhamos muita vontade de realizar esse sonho”.

E os atores de fato conseguiram! A atmosfera masculina é no palco desnudada e permite aos mais atenciosos aventurar-se pela alma do gênero, tão pouco transparente em artes como teatro, cinema, pintura, música, em que as mulheres ganham sem trégua.

O texto apresenta personagens arquetípicas da sociedade contemporânea. E, no geral, estão bem representadas. Fábio Cadôr, que merece destaque como ator do espetáculo, interpreta o machão Zeca. É aquele cara que vive dando uma de durão e nunca pode admitir fraqueza ou frustração. Adora ter dinheiro, mulheres, carros importados e tem uma necessidade descomunal de se autoafirmar como homem. Bem brasileiro, não? Ou é mais futebolístico?

Como a obra Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, não me deixa mentir, os bêbados também compõem o clima brasileiro. Portanto, Maurício é o alcoólatra da montagem e é encarnado de forma convincente e assertiva pelo ator Alexandre Freitas.

O estereótipo do irmão mais velho que segura as pontas de todos da família está representado por Mauro, vivido por Flavio Baiocchi. Ele cuidou dos irmãos, quando pequenos e continua levando suas responsabilidades a cabo.

O caçula da família chama-se Cláudio, um moço moderno, bonito, mente aberta, artista sensível, amigo de todos os irmãos e super compreensível. E quem dá vida a esse desejo de consumo feminino é Flavio Barollo.

Ah! Mas hoje em dia não se pode mais deixar de falar da homossexualidade. Concordo! João Pedro é um escritor famoso, rico e apaixonadamente gay.

Esses cinco irmãos trazem emoções profundas, dores e traumas causados na infância. Ao se reencontrarem, os sentimentos vêm à tona, caminhando para uma comovente resolução: o amor entre eles. Um belo momento do espetáculo!

O pivô responsável pela oportunidade de "lavarem a roupa suja" e se libertarem dos ressentimentos e mal entendidos é um homem, internado na UTI de um hospital público, que pode ser o pai que os abandonou há mais de 20 anos.

Apesar das lembranças e sentimentos intensos, desencadeando situações patéticas, irônicas, com cobranças e discussões, o texto, de forma inteligente, traz um humor ingênuo e, às vezes tenso, promovendo boas e espontâneas risadas. Comprove!

Novelo apresenta uma visão, envolvendo diversas dimensões do homem contemporâneo, inserindo suas alegrias, conflitos, ambições, coragem, mágoas, medo, frustrações, sonhos e outros estados bastante conhecidos pela humanidade. (conscientes ou não).

Segundo o diretor Zé Henrique de Paula, o que mais lhe atrai no texto é a possibilidade de fazer um recorte do masculino. “Cinco homens diferentes, cinco homens possíveis, cinco homens reais. E, por meio deles, tentar entender melhor o imaginário do gênero como um todo”.

O figurino é do "estilista Fashion Week" Mário Queiroz. A locução em off é da atriz Clara Carvalho (Grupo Tapa) e a trilha sonora do espetáculo foi composta originalmente por Fernanda Maia.

A autora é a experiente Nanna de Castro, que presenteia o público com um texto, no mínimo, desafiador para o elenco e direção. É difícil sair da plateia incólume. Impossível não surgir questionamentos ou sentir certo incômodo. Arte que é arte promove movimentos!

E Novelo não perde neste quesito. A peça apresenta planos de espaço-tempo que se cruzam durante todo o espetáculo. Ora os personagens são adultos, ora crianças. É um Novelo para ser desfiado, interpretado e, acima de tudo, Sentido! Principalmente para aqueles que não têm medo de dar vazão aos sentimentos ou que pelo menos querem aprender a deixá-los fluir. Acesse: http://www.onovelo.com.br/

Serviço:

NOVELO (90 min., a partir de 12 anos, drama)
Sexta, às 21h30. Sábado, às 21h, e domingo, às 19h – R$ 20 e R$ 10 (meia)

Teatro Sérgio Cardoso
Sala Paschoal Carlos Magno (144 lugares) - Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista - 3288-0136

Aceita cartão de crédito mastercard e débito pelo redeshop. Não aceita cheque.
Estacionamentos nas mediações, porém não há convênios com o teatro.

Bilheteira, de quarta a domingo, das 15h às 19h. Nos dias de espetáculos até o início da peça.
Vendas por telefone: 4003-1212 e http://www.ingressorapido.com.br/

De 18 de junho a 15 de agosto
Postado por Rosi Gonçalves às 19:02

domingo, 13 de junho de 2010