sábado, 18 de setembro de 2010

PARLAPATÍCIAS

NOVELO faz sua 3ª temporada no Espaço PARLAPATÕES


De 22 de setembro a 28 de outubro de 2010
Espaço Parlapatões
Praça Franklin Roosevelt, 158 – Centro – São Paulo - SP tel 3258-4449
Quartas e Quintas às 21h
valor: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

sábado, 11 de setembro de 2010

Terceiro Sinal

Por Diego Mendes
http://blogvacapreta.com/wp/terceiro-sinal-10-09-by-diego-mendes-2/


Quem disse que tricô não é coisa de homem? ‘Novelo’ prova o contrário.

Bem-vindos(as), queridos(as) leitores(as)!

Após uma semana de clima frio e chuvoso, pelo menos na cidade de São Paulo, o sol voltou a brilhar na tarde desta quinta-feira (09/09/2010), o que me motivou bastante a sair debaixo do edredom e dar as caras pela metrópole.

Por conta do feriado de 7 de setembro e dos compromissos profissionais que tive esta semana, ainda não tinha assistido nenhum espetáculo que realmente fizesse meus olhos brilharem, até que a convite do queridíssimo amigo Fábio Cadôr, fui assistir Novelo, um espetáculo lindíssimo e que emociona todo o público através do texto inédito escrito por Nanna de Castro, dirigido por Zé Henrique de Paula, que também assina a cenografia da peça, e composto por atores extremamente cúmplices em cena, que dão vida a cinco irmãos com personalidades completamente diferentes e bem definidas.

- Escrever este texto me fez dançar umas valsas com meu preconceito. Sou da geração que cresceu ouvindo o bordão: homem é tudo igual. Imaturos, egoístas, insensíveis, rasos, mulherengos, ausentes, dispensáveis – diz Nanna de Castro.

NOTA: Todo o serviço da atração aqui citada se encontra no fim do post.

A história se passa na sala de espera de um hospital público. Após 20 anos, Mauro, o primogênito, recebe um telefonema do hospital anunciando que um senhor, seu pai, está internado na UTI com a saúde comprometida, o telefone do filho estava num papel em seu bolso. Os cinco irmãos reúnem-se para ter uma última palavra com aquele que os abandonou na infância. Mauro cuidou de João Pedro, Zeca, Maurício e Cláudio, visto que além do sumiço do pai a mãe havia falecido. Eles discutem suas diferenças e abrem seus corações durante esse reencontro.

Quem dá vida a Mauro, é o ator Flavio Baiocchi, que é o mais zeloso dos irmãos e assim como um pai herói, busca sempre proteger a relação entre os irmãos e os aproximar. Alexandre Freitas interpreta Maurício, que sofre com o alcoolismo, um homem triste, perturbado por suas desventuras e magoado com o pai. Elvis Shelton é João Pedro, um homem mais delicado, cauteloso e distante da família, seu intelecto o deixa cada vez mais longe das discussões entre os irmãos, porém completa o mesmo sentimento que cada um tem pelo outro. Fábio Cadôr vive Zeca, um homem um tanto bossal e sem escrúpulos, cheio de sarcasmo e ironia em suas palavras. Flávio Barollo interpreta Cláudio, o mais novo e descolado dos irmãos, o ator da família, especulado sempre pelos outros por ter uma namorada, que também é atriz, e herdar os trejeitos do irmão João.

Todos os atores fazem passagens incríveis entre a infância e suas idades atuais durante todo o espetáculo, várias vezes voltam ao passado alterando a voz e suas expressões. A iluminação, que é assinada por Frans Barros, também é alterada todas as vezes que essas passagens de tempo acontecem, climatizando bem o hospital e o espaço que os atores ocupam quando mudam a cena. O figurino é de Mário Queiroz, e caracteriza muito bem cada personagem. A direção musical de Fernanda Maia caiu muito bem para Novelo, pois a trilha sonora ajuda a compor o ambiente perfeito para cada cena.

- Para mim, a peça é um mergulho na memória daquela que é a mais ancestral e eterna instituição humana. A família. Esse novelo que dá titulo à peça. Novelo que pode, com duas agulhas na UTI de um hospital, acalmar os corações sofridos de cinco irmãos que vão dizer adeus a seu pai – diz Zé Henrique de Paula.

Novelo encerra sua temporada no Teatro Augusta na próxima semana, com sessões nos dias 15 e 16/09/2010, depois reestréiam no Espaço Parlapatões, na Praça Roosvelt, onde ficarão em cartaz até dia 28 de outubro, todas as quartas e quintas. Vocês podem conferir um trecho do espetáculo no vídeo abaixo.

Eu assisti e recomendo!

Até a próxima semana e tenham todos um bom espetáculo!

Serviço

Espetáculo: Novelo
Local: Teatro Augusta até 16/09/2010 – Espaço Parlapatões a partir de 22/09/2010
Horários: Quarta e quinta às 21h00
Ingressos: R$30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

NOVELO no BUXIXO

http://www.buxixo.com.br/entretenimento/2010/09/novelo-a-prova-de-que-homem-e-tudo-diferente



Cinco homens em cena e muito o que tricotar, está em cartaz no Teatro Augusta, em São Paulo, a peça 'Novelo', onde irmãos com personalidades completamente diferentes encontram-se após muito tempo procurando o pai. Direção de Zé Henrique de Paula.
Depois de muitos anos, Mauro, o irmão mais velho, recebe um telefonema do hospital anunciando que um senhor, seu pai, está internado, e com a saúde debilitada, o telefone do filho estava num papel no bolso dele. Os cinco irmãos, que foram criados pelo primogênito reúnem-se para ter uma última palavra com aquele que os abandonou na infância. Mauro cuidou de João Pedro, Zeca, Maurício e Cláudio, visto que além do pai sumir a mãe havia morrido. Cada um com suas peculiaridades esmiúçam seu próprio perfil em cena, discutem diferenças entre eles, porém sempre protegidos pelos cuidados do mais velho.
O texto de Nanna de Castro permite ao público a aproximação de uma realidade tão comum na sociedade, além de falar da cautelosa relação entre irmãos com personalidades tão diferentes. A costura de novelos é bem trabalhada nas palavras, nada fica perdido em cena, todo o diálogo é completamente compreensível, o texto é bem inédito, adequado ao contemporâneo, comovente e cômico. O propósito do título da peça é esclarecido no instante em que os atores contam sobre os ensinamentos da mãe, um deles o tricô.
Mauro é interpretado pelo ator Flavio Baiocchi, que vive um irmão zeloso, assim como um pai herói ele busca sempre proteger a relação entre os irmãos e os aproximar. É um grande ator, intenso, expressivo e desenha seu texto com suas feições e expressões corporais. Alexandre Freitas vive o personagem Maurício, alcoólatra e sempre mais mórbido, um homem triste, perturbado por suas desventuras e magoado com o pai, o ator carrega em seu personagem o abismo de sua história, exprime uma das melhores propostas do texto, e parece ser o mais afetado pelo sumiço do pai e a saudade da mãe. Elvis Shelton, faz João Pedro, um homem mais delicado, cauteloso e distante da família, seu intelecto o deixa cada vez mais longe das discussões entre os irmãos, porém completa o mesmo sentimento que cada um tem pelo outro, João é um personagem calmo e sortudo por ser vivido por este ótimo ator, que sabe como equilibrar-se no palco, e apesar de interpretar um homossexual, não permite que o personagem torne-se um clichê, sendo portanto um homem de gostos diferentes, assim como cada irmão tem sua escolha. Como em qualquer família há aquele que empina o nariz, o que nem sempre por suar é o mais afortunado, assim é Zeca, vivido pelo ator Fábio Cadôr, que vai se destacando no palco por suas ironias e sarcasmo, um homem um tanto bossal e sem escrúpulos, o ator vai dando um expressionismo fantástico ao personagem e fica responsável pela maior parte cômica do texto, fazendo isso muito bem. O mais novo e descolado dos irmãos é Cláudio, interpretado por Flavio Barollo, um ator de muito talento, capaz de caracterizar seu personagem como um homem indeciso, especulado sempre pelos outros por ter uma namorada e herdar os trejeitos do irmão João. Ele é contente, porém equilibra-se num homem sentimental e feliz, sempre disposto a um abraço e dependente dos carinhos dos irmãos, com exceção de Zeca, os quais se entendem ao final de tudo.
Todos os atores fazem passagens incríveis entre a infância e suas idades atuais no texto, várias vezes retornam no tempo alterando a voz e suas expressões. Além de dirigir, Zé Henrique de Paula é responsável por um cenário simples, mas adequado aos movimentos que os atores precisam desenvolver e permite que a imaginação da plateia seja estimulada para que cada um construa a cenografia que couber em sua compreensão e emoção do que cada um codifica do texto. A iluminação de Frans Barros não exagera em nada, nem fica abusando de cores, trabalha apenas com um tom mais claro e outro mais baixo, climatizando bem o hospital e o espaço que os atores ocupam quando mudam a cena. O figurino caracteriza cada personagem, ao entrar no teatro os atores já estão em cena tricotando, e neste instante já podemos notar a personalidade de cada um por aquilo que vestem, as roupas acompanham bem as expressões de cada um, trabalho do figurinista Mário Queiroz. A trilha sonora surge dos momentos certos, os sons são cenário de fundo para os sentimentos e falas dos personagens, direção musical de Fernanda Maia.
A produção executiva é de Marisa Medeiros, e fica em cartaz no Teatro Augusta até 16 de setembro no valor de R$ 30,0. ‘Novelo’ é mais um texto contemporâneo dos quais eu recomendo. Após o dia 16 eles estarão no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, também de quarta e quinta, assim como no Augusta, e ficarão de 22 de setembro a 28 de outubro.
Por Nyldo Moreira
Jornalista e Crítico de Teatro
nyldo.jornalismo@gmail.com
http://tangoseboleros.blogspot.com